Mudanças climáticas afetam terroirs

Estudo da Universidade de Bordeaux aponta desafios de mudanças climáticas para os vinhos

As mudanças climáticas estão impactando vinhedos e impondo desafios para a produção de vinhos, aponta estudo de Bordeaux

Imagem Estudo da Universidade de Bordeaux aponta desafios de mudanças climáticas para os vinhos

por Sílvia Mascella

Publicado no final de março deste ano de 2024, na revista Nature, o estudo ‘Climate change and adaptations of wine production” (Mudanças climáticas e adaptações da produção de vinho), coordenado pelo professor Cornelis van Leeuwen da Universidade de Bordeaux, revela os desafios que a indústria vitivinícola deverá enfrentar nas próximas décadas devido às mudanças climáticas.

Um dos principais dados revelados pela pesquisa é o avanço das datas de colheita das uvas em 2/3 semanas em todo o mundo, nos últimos 40 anos. Isso é resultado do aumento das temperaturas, que fazem com que as uvas amadureçam ainda numa parte muito quente do verão, alterando a composição dos grãos e consequentemente modificando a qualidade e o estilo dos vinhos.

LEIA TAMBÉM: Produtores de vinho de Israel compram vinícola em Bordeaux

A pesquisa afirma que as uvas são o terceiro produto horticultural mais valioso, atrás apenas das batatas e dos tomates, com um valor de campo de 68 bilhões de dólares em 2016. A produção total do mundo em 2020 foi de 80 milhões de toneladas de uvas, colhidas de 7.4 milhões de hectares de vinhedos, sendo que quase 50% dessa produção foi de uvas para vinhos e 43% para consumo ao natural.

Uma vez que a qualidade impacta diretamente no preço, e que as regiões de produção são um dos motores da reputação de variados vinhos, uma variedade de uva bem adaptada ao clima ideal de um local é um dos atributos da produção de vinhos premium. Dessa forma, com as mudanças climáticas já em curso, a influência das regiões produtoras se altera. No estudo são citadas as regiões francesas de Bordeaux e da Alsácia como tendo registrado sistematicamente colheitas mais cedo que o normal e aumento no volume de álcool dos vinhos.

LEIA TAMBÉM: Por que alguns vinhos dão dor de cabeça

O artigo faz uma revisão de várias pesquisas já publicadas sobre os impactos regionais das mudanças climáticas nos vinhos com o objetivo de traçar o que virá a ser uma nova geografia dos vinhos. Os pesquisadores destacam que, até o final deste século 90% das regiões tradicionais costeiras ou de terras baixas na Espanha, Itália, Grécia e no sudoeste da Califórnia correm o risco de desaparecer, em favor de regiões mais altas e frias e em parte mais secas.

Por fim, a pesquisa aponta algumas alternativas para as regiões que enfrentarão os maiores desafios, como a troca de variedades e de porta-enxertos, mudança de sistema de condução e mapeamento dos vinhedos, embora eles apontem que – a longo prazo – essas mudanças poderão não ser suficientes para que os vinhedos sigam sendo economicamente viáveis.

Para ler a pesquisa completa, acesse https://www.nature.com/articles/s43017-024-00521-5

palavras chave

Notícias relacionadas